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Trabalho de Parto
1. Quais exames devo fazer antes do parto?
Além dos exames normais do pré-natal, é preciso fazer a cultura de
secreção vaginal para pesquisar a presença do Streptococo agalactie.
Trata-se de uma bactéria que coloniza os tratos intestinal e
genito-urinário, que pode contaminar o bebê na hora do parto normal,
levando a quadros graves, como pneumonia, meningite e até septicemia.
2. É mesmo necessário fazer a tricotomia, o corte dos pelos pubianos?
Não há consenso. Muitos especialistas defendem que os pelos pubianos
garantem maior proteção e a retirada deles pode até dificultar a
cicatrização no caso de infecções.
3. E a lavagem intestinal?
Há duas posturas. Alguns médicos consideram o procedimento necessário
porque no parto normal, ao passar pelo assoalho pélvico, no final do
canal de parto, o bebê espreme o reto e, se houver grande quantidade de
fezes, elas serão expelidas no momento da expulsão do bebê, podendo
contaminá-lo e ainda infectar o corte da episiotomia.
No entanto, outros obstetras, defensores do parto natural, acham que a
lavagem é absolutamente desnecessária e alegam que a própria Organização
Mundial da Saúde cita essa rotina como um dos fatores capazes de
atrapalhar o trabalho de parto. Segundo Andréa Campos, ginecologista e
obstetra da Casa Materna (Gama, Grupo de apoio à Maternidade Ativa), não
há nenhum problema se a mulher evacua na hora do nascimento.
4. A episiotomia, aquele corte cirúrgico no períneo, é obrigatória?
Existe uma grande controvérsia sobre a necessidade daquele corte que o
médico faz no períneo para facilitar a saída do bebê. Alguns
profissionais acreditam que o parto só pode ser considerado normal pra
valer se não houver episiotomia nem anestesia.
O fato é que, dependendo do caso, a saída do bebê pode causar, sim,
lacerações na mãe. E a episiotomia tem a vantagem de ser uma lesão
controlada, que não causará danos em nervos e que será capaz de abreviar
o parto em algumas circunstâncias – o que é muito positivo para a
musculatura da região.
“A episiotomia preserva os músculos da região perineal, evitando
problemas futuros”, diz a ginecologista e obstetra Lúcia Hime. “Nunca me
arrependi de fazer a episiotomia em pacientes, mas já me arrependi do
contrário”, faz eco o obstetra Flávio Garcia Oliveira. “O procedimento
funciona bem quando há necessidade de urgência no nascimento”,
exemplifica Andrea Campos.
5. Em quais casos se usa o fórceps?
Até hoje, quando há uma demora na expulsão da cabeça, o médico lança
mão de instrumentos para ajudar a saída do bebê. São os chamados fórceps
baixos, ou de alívio, só para que a criança não fique muito tempo no
canal vaginal, podendo apresentar problemas de oxigenação. Já os fórceps
ditos altos, em que o médico puxa o bebê lá de cima, tendem a
desaparecer porque são extremamente agressivos – não raro, causam lesões
neurológicas no bebê e lacerações na mãe.
6. Por que o cordão umbilical no pescoço preocupa tanto se o oxigênio não passa pelo pescoço do bebê?
Essa preocupação, comum entre as futuras mamães, é mais folclórica,
porque é muito comum ouvir alguma história catastrófica envolvendo
cordões. Os médicos não se preocupam tanto com isso – até porque 20% dos
bebês têm o cordão enrolado em alguma parte do corpo sem que isso
provoque nenhuma complicação.
7. Quando se recomenda fazer uma indução do parto?
Ela pode ser indicada em várias situações. A mais comum é quando a data
provável do nascimento ultrapassou os 15 dias de tolerância. Mas ela só
poderá ser iniciada se o colo estiver favorável. A indução também pode
ser feita para abreviar a gestação em função de possíveis riscos à mãe e
ao bebê, incluindo doenças como a hipertensão e o diabete.
Seja qual for o motivo, para induzir ao parto o médico lança mão de
drogas capazes de provocar contrações do útero e a dilatação do colo. E
elas não são livres de riscos: a intensidade e a frequência das
contrações podem ser maior do que o necessário, causando hemorragias e
sofrimento fetal. Quando isso acontece, a única saída é realizar uma
cesárea de emergência.
8. Quais os sinais do trabalho de parto?
São muitos e variam de mulher para mulher. Podem começar com dores na
região lombar que se irradiam para o abdômen, deixando a barriga dura
mais ou menos a cada meia hora – são as famosas contrações. Calma! O
simples surgimento delas não significa que chegou a grande hora. É
preciso que a mulher sinta duas contrações de 40 segundos a um minuto e
meio no período de dez minutos para se ter a certeza de que o parto está
mesmo para acontecer.
Em outras mulheres, porém, o trabalho de parto se anuncia com um
discreto sangramento genital ou ainda com a rotura da bolsa, derramando
todo o líquido em seu interior. Outro sinal importante é a dilatação do
colo uterino acima de 2 centímetros, mas isso só o médico pode observar.
9. O que fazer se a bolsa rompe?
Avise seu médico. Não é preciso sair voando nem se desesperar se o
líquido for claro. O bebê não vai escorregar! Mas, se o fluido estiver
escuro, corra para o hospital. A coloração escurecida indica a presença
de mecônio, como os médicos chamam as primeiras fezes do bebê – e, se
ele defecou na barriga, é sinal de que está sofrendo.
10. Como identificar se a bolsa está fissurada?
A rotura da bolsa normalmente leva à perda de uma grande quantidade de
líquido. Quando acontece apenas uma fissura, sai um pouquinho de fluido,
que parece um corrimento. Aliás, fissuras assim são relativamente raras
e não trazem grandes problemas nem para mãe nem para o bebê.
11. Quais as características do líquido?
Ele é claro e tem um cheiro que lembra o de água sanitária. Se estiver
escuro, pode sinalizar a presença de mecônio, as fezes do bebê.
12. Quanto tempo dura o trabalho de parto? Há um limite razoável?
Nas grávidas de primeira viagem, ele costuma durar entre oito e 12
horas. Em geral, após 12 horas de trabalho de parto, é preciso avaliar
cuidadosamente as condições da mãe e do bebê para verificar se é
possível continuar esperando. “Não há limite, mas existe prudência”,
frisa a ginecologista Lúcia Hime. É necessário que, durante todo o
tempo, mãe e filho estejam bem. De qualquer modo, essa duração tende a
diminuir nos partos seguintes. No segundo filho, por exemplo, costuma
variar de quatro a seis horas, e no terceiro, de duas a três.
13. Como diferenciar uma contração verdadeira de uma falsa?
As contrações que sinalizam o início do trabalho de parto se repetem
com frequência geralmente sincrônica, regular – por exemplo a cada 30
minutos, a cada dez, a cada cinco.... Além disso, na medida em que o
tempo passa, o intervalo entre elas sempre diminui e elas vão se
tornando mais intensas e doloridas. As dores começam no fundo do útero e
se espalham sempre para baixo, no sentido barriga, região lombar e
pelve. Já as falsas contrações podem ser doloridas, mas não têm
regularidade nos intervalos. Não ficam necessariamente mais fortes na
medida em que o tempo passa e sua dor se espalha em qualquer direção, em
vez de seguir a rota da barriga para a região lombar e da região lombar
para a pelve.
14. Exercícios, como a caminhada, favorecem a dilatação?
Eles não ajudam a abertura do colo, mas favorecem a descida do bebê.
Por isso, muitas vezes a grávida é estimulada a caminhar durante o
próprio trabalho de parto.
15. O que fazer na hora das contrações para aliviar a dor?
Massagens, principalmente na região lombar, banhos de água morna e
permanecer sentada sobre aquelas bolas grandes de fisioterapia. Tudo
isso gera relaxamento e diminui o tormento.
16. Há como se preparar durante a gravidez para facilitar o trabalho de parto?
Os exercícios físicos, bem como os respiratórios, ajudam a mulher a
chegar ao momento do nascimento com um condicionamento mais adequado. O
pilates, por exemplo, fortalece a musculatura abdominal e isso ajuda. Na
hora agá, um abdômen mais forte facilita ajuda a empurrar o bebê pelo
canal vaginal.
17. Por que dizem que a mulher deve parar de comer e beber ao entrar em trabalho de parto?
Isso não é obrigatório. O problema é que as contrações às vezes causam
náuseas e, se o estômago estiver cheio, podem desencadear vômitos. Além
disso, dependendo da anestesia que será administrada, também podem
ocorrer sintomas desagradáveis se a mulher tiver ingerido alguma coisa.
18. Afinal, a Lua influencia o trabalho de parto?
Esse fenômeno não tem nenhuma comprovação científica. Mas especula-se
que haja uma explicação física por trás dessa antiga crendice. Assim
como está comprovado que a lua cheia tem influência sobre o deslocamento
de águas elevando as marés, pode-se imaginar que ela atuaria sobre o
líquido amniótico, e o bebê seria empurrado com maior intensidade sobre o
colo do útero, estimulando o início do trabalho de parto.
19. Quais os benefícios de um parto normal para a mulher?
A grande vantagem é que não se trata de uma cirurgia propriamente dita,
com vários cortes e suturas. Portanto, o risco de infecção e hemorragia
é menor. Pelo mesmo motivo, a recuperação no pós-parto é melhor. O
parto normal também favorece a amamentação, porque dispara uma enxurrada
hormonal, avisando o organismo que é hora de começar a produzir leite.
Isso sem contar que a relação entre mãe e filho tende a se estabelecer
mais cedo, já que a mulher participa ativamente do nascimento.
20. E para o bebê?
Estudos mostram que a criança respira melhor, se ela nasce via vaginal.
Isso porque, ao passar pelo canal de parto, o pequeno tórax sofre uma
compressão que ajuda a expulsar o líquido de dentro dos pulmões. E isso
facilita suas primeiras respirações fora do útero, diminuindo o risco de
infecções. Por esse motivo, aliás,o risco de o bebê nascer com o
chamado desconforto respiratório é maior nas cesáreas.
21. Quais as grandes contraindicações para um parto normal?
Quando há desproporção entre o diâmetros da cabeça do bebê e o da bacia
da mãe, se a mulher sofre de cardiopatias graves ou se há sofrimento
fetal e materno agudos. Em outros casos, a contraindicação é relativa – e
aqui estamos falando nas doenças capazes de levar à baixa oxigenação do
bebê durante o parto, como hipertensão arterial materna e pré-eclâmpsia
grave.
22. Bebê grande impede o parto normal?
Se a bacia da mãe for incompatível, isto é, muito menor, sim.
23. Bacia estreita impede o parto normal?
Se o bebê for grande, sim.
24. Depois de ter um filho por meio de cesárea, o segundo pode nascer de parto normal?
A mãe que já sofreu uma cirurgia não precisa obrigatoriamente passar
por outra. Mas deve-se avaliar cuidadosamente o risco de ruptura do
útero, uma das principais contraindicações para o parto normal nessa
situação. O importante sempre é o seguinte: opção pela via de parto vai
depender das condições tanto da mãe quanto do bebê.
25. Depois de ter um filho por meio de cesárea, o segundo pode nascer de parto normal?
A mãe que já sofreu uma cirurgia não precisa obrigatoriamente passar
por outra. Mas deve-se avaliar cuidadosamente o risco de ruptura do
útero, uma das principais contraindicações para o parto normal nessa
situação. A opção pela via de parto vai depender das condições
materno-fetais.
26. A possibilidade de parto normal é descartada quando a gravidez é de gêmeos?
Aqui a possibilidade de um parto normal está ligada à posição do
segundo bebê. Se o primeiro estiver encaixado e o segundo atravessado na
cavidade uterina, em geral o médico opta pela cesárea. Aqueles com
vasta experiência em parto natural, no entanto, estão habilitados a
fazer manobras que reposicionam o segundo bebê , descartando a
necessidade da cirurgia.
27. Quais as possíveis complicações de um parto normal?
As mais comuns são hemorragias, infecções e problemas na progressão do trabalho de parto.
28. E como preveni-las?
O sangramento excessivo, principalmente logo após o nascimento do bebê,
pode ser prevenido com um parto bem conduzido, capaz de evitar lesões e
lacerações no canal de parto, além da correta expulsão ou retirada da
placenta. Quando o problema é causado por uma falha na contração do
útero, o uso de drogas específicas pode evitar verdadeiras catástrofes
hemorrágicas.
29. Como é o pós de um parto normal?
Ele exige apenas cuidados com a região perineal em termos de assepsia. A
mulher será orientada a lavar a cicatriz da episiotomia com água e
sabonete durante o banho.
30. É verdade que muitos partos normais podem levar à incontinência urinária?
O parto normal – ou vários partos normais, que sejam – são apenas um
dos fatores que levam ao problema. Há outros aspectos envolvidos, como o
estado da musculatura. A própria gestação libera hormônios que a deixam
mais flácida. Então, em tese, até quem passou por uma cesárea pode ter
incontinência por causa da gestação. O problema do parto normal é quando
ele é mal conduzido, durando mais do que o necessário, o que deixa o
assoalho pélvico fragilizado.
31. Há como prevenir esse problema?
Um bom pré-natal e um parto bem conduzido são capazes de afastar o risco de incontinência urinária.
32. Por que alguns médicos esperam até a 42ª semana? E por que outros não?
A gestação compreende 40 semanas. Ao passar desse prazo, chegando perto
das 42, ela já está se prolongando demais. No final da gravidez, a
placenta envelhece e deixa de cumprir bem sua função de levar nutrientes
e oxigênio ao bebê. Daí que, nessa fase final, a necessidade de
controlar as condições da mãe e do filho é muito maior.
A cesárea
33. Como é feita a cesárea? É verdade que o médico abre oito camadas de tecido da barriga?
É isso mesmo: na técnica mais usada, o cirurgião corta a pele, a
gordura subcutânea, a aponeurose (invólucro ao redor da musculatura
abdominal), o músculo, o peritôneo parietal (membrana que forra a parede
abdominal), o peritôneo visceral (que reveste as vísceras), a parede
uterina e a bolsa das águas para chegar ao bebê. Tanto a incisão da pele
quanto a do útero são feitas de forma transversal. Após romper a bolsa,
o médico retira o bebê e verifica sua oxigenação. Em seguida, ele corta
o cordão umbilical e o pequeno é levado ao neonatologista. Depois,
retira manualmente a placenta e limpa e toda a cavidade uterina dos
tecidos que se formaram na gravidez. Só depois disso tudo, ele começa a
fechar as camadas, terminando com a sutura da pele.
34. O que é o coeficiente Apgar?
É aquela nota que os bebês recebem logo ao nascer. Criado pela
anestesista inglesa Virginia Apgar na década de 1950, o índice avalia
cinco características do recém-nascido no primeiro e no quinto minuto de
vida. O objetivo é checar sua vitalidade e como anda sua oxigenação
fetal.
Os cincos aspectos avaliados são: a cor da pele, a frequência cardíaca,
o esforço respiratório, o tônus muscular e como o bebê responde a
estímulos. Cada um deles recebe uma nota de 0 a 2. Se a soma dos pontos
resultar em uma nota entre 7 e 10, a criança é considerada normal. Um
resultado menor do que 6 sugere que ela sofreu consideravelmente durante
o parto ou mesmo antes dele e o neonatologista deve tomar medidas
imediatamente.
35. Quanto dura a cirurgia?
Isso varia de médico para médico e de caso a caso. Numa cesárea sem
intercorrências, a duração costuma ficar entre 40 minutos e uma hora.
36. Como é o pós-parto de uma cesárea?
Normalmente, a paciente já começa a se alimentar e a andar depois de
oito a 12 horas. Mas vale dizer: a maioria das mulheres que passa pela
cirurgia sente dor nos primeiros dias.
37. Quais as possíveis complicações de uma cesárea? Como preveni-las?
Basicamente são as mesmas do parto normal, somados alguns outros riscos
por se tratar de um procedimento cirúrgico. Entre eles, lesões de
órgãos como a bexiga e os ureteres e até mesmo a laceração da incisão
uterina. Tudo isso, claro, é evitado quando a operação é realizada por
um bom médico e com o uso profilático de antibióticos, que entram em
cena para barrar eventuais infecções.
O pós-parto da cesárea
38. Por que a barriga parece ficar mais flácida após a cesárea e demora mais para voltar ao normal?
Isso não é verdade. A barriga pode ficar flácida em ambos os tipos de
parto, ou não. Isso depende muito mais de como a mãe se preparou durante
a gravidez para fortalecer a musculatura abdominal.
39. Aliás, em quanto tempo a barriga volta ao normal?
Em geral, em seis meses a mulher volta a ter a barriga de antes, tanto
após a cesárea quanto no parto normal. Mas isso também depende do
estímulo precoce do abdômen.
40. É possível fazer exercícios para a barriga logo no início?
Não só é perfeitamente possível, como recomendado. É mito pensar que as
mulheres que passaram por uma cesárea não podem forçar a barriga porque
estão doloridas ou usando cinta. Esse conceito está mudando muito hoje
em dia. Os médicos tendem a aconselhar exercícios abdominais
precocemente. Mas voltar à academia somente, bem, aí só após um mês.
41. Em quanto tempo pode-se dirigir?
Não importa se o parto foi normal ou cesárea: recomenda-se pegar no
volante só após dez dias. A restrição, na verdade, está muito mais
ligada às perdas de sangue, que podem deixar a mulher fraca, com
tonturas.
42. E fazer atividade física?
Exercícios abdominais superiores, perineais ou para a musculatura das
pernas e dos braços podem começar já no pós-operatório imediato. Mas
voltar à academia somente após um mês – seja qual for o tipo de parto.
43. E ter relações sexuais?
Poucos casais seguem a recomendação à risca, mas o ideal seria esperar
40 dias, quando tudo já estiver cicatrizado. As primeiras relações devem
ser mais cuidadosas, pois a vagina tende a ficar menos lubrificada.
44. Quando posso me levantar?
A mulher que acaba de dar à luz deve andar o quanto antes. Isso melhora
o funcionamento do intestino e da bexiga e evita complicações
tromboembólicas – quando o sangue coagula dentro das veias,
principalmente nas pernas.
45. Quando o intestino volta a funcionar?
Não se assuste se ele demorar um pouco para voltar ao normal.
Principalmente nos casos de cesárea, sempre fica uma pequena quantidade
de sangue dentro do abdômen que dificulta o movimento do intestino. Por
isso, nos três primeiros dias recomenda-se uma dieta rica em fibras.
46. E quando a bexiga volta ao normal?
Fica difícil urinar após a anestesia. Por isso, instala-se uma sonda
durante a cesariana, que é retirada após 12 horas. Mesmo assim, ainda
pode demorar um pouco para a mulher fazer xixi, e as primeiras vezes
costumam ser doloridas.
47. Quando o útero volta ao seu tamanho?
Geralmente, em seis semanas ele está como antes da gravidez. Nas
primeiras 24 horas após o parto, graças às vigorosas contrações, ele já
está na altura do umbigo.
48. Por que há um sangramento que parece menstruação depois do parto?
Você vai ter a sensação de que está menstruada para sempre, mas é mesmo
assim – pelo menos nas primeiras duas ou três semanas, o útero sangra.
Na verdade, é a área onde a placenta estava colada que despeja o sangue e
pedaços de tecido, até se cicatrizar. São os chamados lóquios. No
começo, eles são bem vermelhos, depois se tornam mais claros e, por fim,
amarelados. Desaparecem lá pela sexta semana. Não há nada de errado
nesse tempo longo. Só não podem ter cheiro forte ou ruim.
49. Por que dizem que amamentar dói mais em quem fez cesárea?
A amamentação é uma poderosa ajuda para o útero voltar ao tamanho
normal e evitar hemorragias. Isso porque, ao dar de mamar você libera
hormônios que estimulam as contrações do órgão – e, especialmente quando
se passou por uma cirurgia, isso pode ser um pouco dolorido no início. A
sensação é a mesma das cólicas menstruais.
50. Quando vou voltar ao meu peso normal?
Isso depende do quanto você engordou na gravidez. Estima-se que a
mulher perca uns 5,5 kg logo após o parto, que seria a soma do peso do
bebê, mais a placenta e o líquido amniótico, além da involução do útero.
Outros 4,5 kg serão eliminados nas seis semanas seguintes. O restante é
o excedente que você deverá perder, com ginástica, dieta adequada e
muita, muita disciplina mesmo.
51. Qual o poder de decisão da mulher sobre como será seu parto?
Aqui há que se ponderar dois aspectos: a vontade e a segurança de cada
uma. A indicação do parto é médica, por excelência. Só isso já deixa
claro a necessidade de haver um excelente relacionamento entre a grávida
e seu obstetra. A mulher deve confiar que ele está tomando a decisão
correta ao indicar o tipo de procedimento. É bastante comum um trabalho
de parto iniciar bem, com tudo favorável a um parto normal, e alguma
complicação obrigar a uma cesárea de emergência. A mulher tem de estar
convicta de que seu médico está apto a reconhecer a necessidade da
mudança de rota.
52. Dá para virar um bebê sentado?
É até possível. É quando se apela para as chamadas manobras de versão,
que podem ser externas ou internas. Cá entre nós, são cada vez menos
recomendadas hoje em dia. Nelas, o médico faz o reposicionamento manual
do bebê. Mas atenção: podem ser extremamente dolorosas e só devem ser
realizadas por um profissional muito bem treinado e habilitado – no caso
de manobras externas, sempre no momento em que o bebê está pronto para
nascer, nem sequer um minuto antes. Algumas grávidas, porém, não são
candidatas ao procedimento. O médico precisa avaliar uma série de
condições, como a posição exata do bebê e da placenta, para afastar
riscos como sangramentos e até mesmo o descolamento da placenta. As
manobras internas são um pouco diferentes, porque são realizadas durante
o parto.
53. O que acontece se os médicos notam mecônio no líquido na hora do parto?
Quando a gestação começa a ficar prolongada, o bebê pode liberar suas
primeiras fezes ainda no útero – o chamado mecônio. Sua presença
sinaliza sofrimento fetal, que é facilmente apontado por um aparelho
chamado cardiotocógrafo. Ele é responsável por monitorar as condições do
bebê. Ao menor sinal de sofrimento, o médico parte para uma cesárea.
54. Como chegar ao parto com todos os riscos de complicação sob controle?
Em primeiríssimo lugar, você deve ter um bom relacionamento com seu
médico. É ele quem vai indicar todos os exames e procedimentos
necessários – e é preciso que você confie que ele esteja fazendo a coisa
certa. Isso inclui pelo menos 14 consultas no pré-natal – sendo que, no
último mês, elas devem ser semanais. E, no mínimo, um ultrassom no
primeiro trimestre, outro no segundo e outro ainda no terceiro
trimestre.
Humanizado, de cócoras, na água... Novos e velhos conceitos sobre o parto
55. O que é o parto Leboyer?
Na década de 1960, o francês Frederick Leboyer lançou a obra Pour une
Naissance Sans Violence, que iniciou um movimento em defesa de uma forma
menos violenta de nascer. O objetivo era tornar o parto mais tranquilo
para o bebê, com pouca luz, silêncio, massagem nas costas em lugar da
tradicional palmada para abrir seus pulmões, banho perto da mãe e
amamentação precoce. Mas esse conceito em prol da criança não trouxe
grandes mudanças para a mãe, que continuava parindo deitada, de costas,
normalmente com as pernas presas.
56. Por que algumas mulheres querem um parto na água?
Foi na França que o obstetra Michel Odent começou a usar a banheira com
água morna para aliviar as parturientes. O método ganhou o mundo, pois
estudos mostram que ele, de fato, pode aliviar a tensão e a dor. O
líquido quentinho estimularia a irrigação sanguínea, diminuiria a
pressão e favoreceria o relaxamento muscular. Assim as dores ficariam
mais suportáveis e a dilatação seria facilitada.
57. Quais as vantagens do parto de cócoras?
Não à toa, desde tempos ancestrais mulheres buscam essa posição
instintivamente na hora de dar à luz. E vários estudos mostram que o
parto de cócoras é mais rápido e mais cômodo graças à ajuda da
gravidade. A postura alarga a pélvis, aumentando o diâmetro para a saída
do bebê – o que diminui a necessidade de episiotomia. Além disso,
garante melhor oxigenação à criança, pois o peso do útero não comprime a
veia cava da mãe, responsável por transportar o oxigênio.
58. Qual a diferença entre o parto normal e o parto natural?
O parto natural é basicamente um parto normal – só que sem nenhuma
intervenção, como anestesia, episiotomia e mesmo indução. O médico, ou a
parteira, apenas acompanha e monitora a mãe e o bebê no hospital ou em
casa. A mulher, no caso, é a agente de todo o processo.
59. O que faz uma doula?
Do grego “mulher que serve”, a palavra doula hoje é sinônimo de alguém
que acompanha a mãe antes, durante e depois do parto, dando suporte
físico e emocional. Ela não faz absolutamente nenhuma intervenção
médica, mas ajuda a tranquilizar a mulher por meio de massagens, dando
informações sobre procedimentos, indicando formas de aliviar a dor e,
eventualmente, suavizando um ambiente mais frio do ponto de vista
emocional. Há estudos que mostram o impacto positivo da presença de
doulas, com menor incidência de cesáreas, do uso do fórceps, de
analgesias e de episiotomias.
60. Afinal, o que é parto humanizado?
Aqui não estamos falando de um tipo de parto, mas de um conceito que
surgiu da constatação de que algumas medidas melhoram sensivelmente as
condições da mãe e do bebê. Para o Ministério da Saúde, significa que
toda gestante tem direito de passar por pelo menos seis consultas de
pré-natal, ter vaga garantida em hospital e acompanhante na hora do
parto. A Organização Mundial da Saúde, por sua vez, preconiza algumas
medidas que devem ser fortemente estimuladas, como o respeito à escolha
da mãe sobre a posição em que quer ficar durante do trabalho do parto e
na hora de expulsar o bebê, o contato precoce entre mãe e filho e
amamentação na primeira hora de vida.